Política nas Corporações

 

Recentemente recebi um e-mail de um leitor pedindo para escrever sobre o ambiente político nas organizações. Hoje resolvi tecer alguns comentários sobre este tema e espero que seja útil a alguns de vocês.

A política é inerente ao convívio em sociedade. Se temos mais de uma pessoa interagindo entre si elas estarão praticando política, pode acreditar.

Nas corporações não é diferente. Como organizações formadas de pessoas, as corporações são caldeirões de política onde são discutidos os mais variados temas, desde as melhores estratégias a serem seguidas até questões menores como em que lugar deveria estar a mesinha do café.

Cada pessoa tem um conjunto de interesses e prioridades e tem como objetivo principal vê-los atendidos. Se todos compartilhassem exatamente o mesmo conjunto de interesses, seria razoavelmente fácil definir as prioridades das organizações e a maneira de atingir seus objetivos.

Mas não é bem assim que as coisas acontecem… Longe disso, o normal é vermos pessoas de uma mesma organização pensando de maneira diametralmente oposta sobre diversos temas.

Pronto. Está instaurado o processo de disputa política por ideias, reconhecimento, definição de objetivos e maneiras de alcançá-los.

É muito comum que as pessoas vejam a política nas empresas como uma coisa ruim. Talvez pela associação que façam com a política tradicional no governo, tão impregnada de comportamentos inadequados. No entanto, a política em si não é ruim. Ela é essencial para que os conflitos sejam trabalhados de maneira produtiva, para que os consensos sejam obtidos ou, quanto não é possível o consenso, que as decisões sejam tomadas segundo algum critério.

Disputas sadias de ideias, recursos, estratégias e cargos são muito bem vindas nas corporações. Sem elas, criamos ambientes de trabalho sem poder de renovação, fadados a fracasso. Não é ruim que as pessoas disputem espaço nas organizações. Tampouco que existam conflitos e que a política seja utilizada como meio de superar estes conflitos.

Os movimentos políticos começam a ser um problema quando as intenções das pessoas envolvidas não estão alinhadas com os objetivos e valores da organização ou quando o foco das disputas está em questões puramente pessoais, muitas vezes carregadas de rancor e um espírito de revanchismo.

Ainda pior são os movimentos políticos feitos por pessoas sem escrúpulos, cujos objetivos pessoais possuem uma agenda totalmente desconectada dos objetivos da empresa e do código de conduta tácito da organização.

Quando este tipo de “política nociva” acontece é preciso que pessoas com alto poder político na organização detectem a anomalia e tomem as ações devidas. Dizendo de outra maneira, a “política nociva”só pode ser enfrentada com política.

Nem sempre as pessoas de maior escalão são as mais preparadas para detectar e atuar sobre práticas nocivas de política. É muito comum que o tratamento deste tipo de mal tenha que ser feito por pessoas de nível equivalente ou até mesmo inferior aos “infratores”. O que define o ator que deverá atuar nestes casos é mais a habilidade e perspicácia política do que o cargo.

A política está aí para ser utilizada como ferramenta de trabalho de qualquer profissional, esteja ele ou não em um cargo executivo. Ela não deve ser tratada como um mal em si, ao contrário, ela é parte inerente do convívio em sociedade e é fundamental para que as organizações funcionem adequadamente.

Não fuja da política de sua organização. Em vez disso, prepare-se para participar dela de forma ativa e intensa. Lembre-se apenas que os princípios e valores devem ser soberanos em todos os seus movimentos políticos.

 

Paulo Pinho, CEO da Synoro Negócios Inovadores.

Comentários ou sugestões de temas podem ser enviados para paulo.pinho@synoro.com.br.

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