Desenvolvendo Atletas

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Você pratica ou acompanha algum esporte? Se o faz, deve saber da importância que tem o treinamento na vida de um praticante de esportes. É sobre o papel do treinador e da analogia que existe entre ele e os líderes empresariais que gostaria de conversar hoje.

Assim como um treinador de futebol ou vôlei, um líder empresarial é responsável por desenvolver sua equipe, tanto individualmente quanto coletivamente. Ele precisa dar conforto e segurança a seus atletas, mas sabe que só será capaz de bater seus concorrentes se souber levá-los a um patamar superior de competitividade que esteja acima dos opositores.

Para ser vencedor, um treinador precisa testar e estender os limites de seus atletas todo o tempo, aprimorando-os a cada ciclo, buscando sempre algo mais. Esses limites não são fáceis de serem ultrapassados, nem tampouco agradáveis de serem atingidos. Eles representam privações e dor, aumentam o estresse físico e mental e testam a capacidade de cada um em se manter motivado na busca de seus objetivos.

Não é possível desenvolver atletas sem testar limites. Não é possível testar limites sem gerar desconforto. Não é possível gerar desconforto e manter motivação se não houver confiança.

Um bom técnico exige de seus atletas até onde sabe que eles serão capazes de suportar. Ao mesmo tempo é capaz de fazê-los atingir limites que eles mesmos não acreditavam ser capazes. Ele os desafia a todo momento e impõe metas e objetivos nem sempre aceitos de maneira tranquila. Um bom técnico é admirado e querido por sua equipe, mas muitas vezes desperta sentimentos nem tão positivos assim. Como ouvi de uma professora há algum tempo, ele tem um molho tipo agridoce, adocicado mas ao mesmo tempo ácido.

O ponto chave da relação de um técnico com seus liderados é a confiança mútua. A equipe precisa confiar em seu líder e acreditar que todo o sofrimento imposto tem como objetivo o desenvolvimento e o sucesso. Por outro lado, o líder precisa confiar em seus liderados e acreditar que eles estão totalmente alinhados com seus objetivos.

Para obter a confiança da equipe não é necessário ser amável o tempo todo. Na verdade, muitos dos grandes técnicos que conhecemos passam longe da definição de amável. O mais importante é ser previsível, coerente e justo. É seguir um conjunto simples e direto de valores positivos em todas as suas decisões, reagindo de maneira clara e objetiva ao desenrolar dos fatos.

Um líder que é sempre amável (doce) dificilmente irá mover seus liderados além dos limites. Para levá-los a novos patamares ele precisa demonstrar sua acidez (dureza) e discutir de forma clara e objetiva os erros e acertos de sua equipe. Se está errado ele precisa dizer isso sem meias palavras. Se há maneiras de fazer melhor, precisa criticar a forma como foi feito. Se faltou empenho e atenção, isso precisa ser dito e discutido.

A acidez do líder cria o movimento e faz com que as pessoas se desenvolvam. Sua doçura cura as feridas causadas pelas lutas do dia a dia e reforça o cimento da confiança que a equipe tem em sua liderança.

Desenvolver atletas é como desenvolver funcionários e líderes empresariais são como técnicos de futebol. Os uniformes e as regras do jogo são totalmente diferentes, mas as bases do relacionamento entre líder e liderados são exatamente as mesmas.

Paulo Pinho, CEO da Synoro Negócios Inovadores.

Comentários ou sugestões de temas podem ser enviados para paulo.pinho@synoro.com.br.

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